A Lebre e o Cão de Caça

autor:  Esopo 

A Qualidade de uma ação sempre depende da importância do seu motivo...
Fábulas de Esopo - A Lebre e o Cão de Caça











Um Cão de caça, depois de obrigar uma Lebre a sair de sua toca, e após de uma longa e exaustiva perseguição, de repente parou a caçada dando-se por vencido.
Um Pastor de Cabras, ao vê-lo prostrado e visivelmente abatido, ridicularizou-o dizendo: "Aquele pequeno animal é melhor corredor que você..."
Ao que o Cão de caça responde:
"Está claro que o Senhor não é capaz de compreender a diferença que existe entre nós! Eu estava correndo apenas para conseguir um jantar, mas ele, ao contrário, corria por sua Vida..."


Moral da História 1:

O motivo pelo qual realizamos uma tarefa, isso, é o que vai determinar sua qualidade final...


Moral da História 2:

Quanto maior o tamanho da recompensa no final, maior será o tamanho do nosso empenho desde o início...

O Gato Vaidoso - Fábula de Monteiro Lobato

Moravam na mesma casa dois gatos iguaizinhos no pêlo mas desiguais na sorte. Um, amimado pela dona, dormia em almofadões. Outro, no borralho. Um passava a leite e comia em colo. O outro, por feliz, se dava com as espinhas de peixe do lixo.
Certa vez, cruzaram-se no telhado e o bichano de luxo arrepiou-se todo, dizendo:
- Passa ao largo, vagabundo! Não vês que és pobre e eu sou rico? Que és gato de cozinha e eu sou gato de salão? Respeita-me, pois, e passa ao largo...
- Alto lá, senhor orgulhoso! Lembra-te de que somos irmãos, criados no mesmo ninho.
- Sou nobre. Sou mais que tu!
- Em quê? Não mias como eu?
- Mio.
- Não tens rabo como eu?
- Tenho.
- Não caças ratos como eu?
- Caço.
- Não comes rato como eu?
- Como.

- Logo, não passas dum simples gato igual a mim. Abaixa, pois a crista desse orgulho e lembra-te que mais nobreza do que eu não tens - o que tens é apenas um bocado mais de sorte...

MORAL DA HISTÓRIA


Quantos homens não transformam em nobreza o que não passa de um bocado mais de sorte na vida!

LOBATO, Monteiro. Fábulas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1960

Mal Maior - Fábula de Monteiro Lobato

- O Sol vai casar-se! - anunciou um bem-te-vi boateiro - viva o Sol!
- Viva? - exclamaram as rãs, assustadas - não diga isso, pelo amor de Deus... Um Sol apenas já nos dá o que fazer. Seca os brejos e nos deixa às vezes a ponto de morrermos de sede. E é um só... imaginem agora que se casa e além do senhor Sol também teremos que aturar dona Sol e os sóis filhinhos... Será a maior das calamidades, porque então unicamente as pedras poderão resistir à fúria da família de fogo.


Moral da Estória:


1. Assim é. O mundo está bem equilibrado e qualquer coisa que rompa a sua ordem resulta em males para os viventes. Fique solteiro o Sol e não enviúve quem é casado.

2. Qualquer mudança pode prejudicar alguém.

LOBATO, Monteiro. Fábulas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1960

A gralha enfeitada com penas de pavão

Monteiro Lobato

A gralha enfeitada com penas de pavão – fábula de Monteiro Lobato

Como os pavões andassem em época de muda, uma gralha teve a idéia de aproveitar as penas caídas.

– Enfeito-me com estas penas e viro pavão!

Disse e fez. Ornamentou-se com as lindas penas de olhos azuis e saiu pavoneando por ali a fora, rumo ao terreiro das gralhas, na certeza de produzir um maravilhoso efeito.

Mas o trunfo lhe saiu às avessas. As gralhas perceberam o embuste, riram-se dela e enxotaram-na à força de bicadas.

Corrida assim dali, dirigiu-se ao terreiro dos pavões pensando lá consigo:

– Fui tola. Desde que tenho penas de pavão, pavão sou e só entre pavões poderei viver.

Mau cálculo. No terreiro dos pavões coisa igual lhe aconteceu. Os pavões de verdade reconheceram o pavão de mentira e também a correram de lá sem dó.

E a pobre tola, bicada e esfolada, ficou sozinha no mundo. Deixou de ser gralha e não chegou a ser pavão, conseguindo apenas o ódio de umas e o desprezo de outros.

MORAL DA HISTÓRIA: 

Amigos: lé com lé, cré com cré.

LOBATO, Monteiro. Fábulas. São Paulo: Editora Brasiliense, 1960